segunda-feira, 13 de julho de 2009

Vagabundo sedutor

A melodia fez debruxar em mim uma saudade nunca antes sentida
Em tempos imundos onde eu estou carregada de lama e suor
O cheiro envolto por um sentimento vagabundo acabado de morrer
E eu profundamente sinto que já não sei nem o que digo nem o que faço.
O Sol nasceu trazendo notícias tuas e eu
Eu simplesmente nem quis saber.
A tua existência, o teu magnânimo perfune
O arrepiante toque do sedutor mais tenebroso
Aquilo que tu sempre desejaste ser.
Para mim o fim já fora há muito
E o nosso amanha nunca irá existir.
Simplesmente porque já não sou portador do meu olhar
Do intenso brilho ou do sorriso que se foi
Com o passar do tempo, tempo que me fizeste esperar.
E enquanto eu canto às estrelas
Tu caminhas por aí, meio perdido caindo na realidade
Nunca antes te sentiste assim porque nunca antes foste rejeitado,
Nunca antes foste além daquilo que és, porque nunca te esforçaste
E sabes o que mais me entristece?
Saber que tu ficarás sempre assim,
Com essa postura, nesse pedestal, tão teu.
Mas tão sozinho, no meio de tanta petulância e loucura.
Odeia-me hoje, odeia-me amnhã.
Porque eu nunca, em tempo algum, te vou amar.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Infinito

Eu desapareci por uns tempos. Fui para lá e fiquei porque simplesmente não queria voltar. Ouvi meio mundo e não captei nada e o meu caminhar na estrada vai manso e desolado. A noite arrepia-me pensamentos escusados e rouba-me lágrimas sem pedir licença. E aqui estou eu, de volta. Pouco tenho ou nada mesmo, pouco sou e talvez nada saiba sobre o que é, sobre o que é esta vida.
Tenho acompanhado de longe algumas trajectórias daqueles que passaram na minha vida por horas, por dias, por meses ou anos e o que retiro é o que sou. Fiz parte de quadros expostos em parede de casas ricas, fui uma estátua no meio de uma cidade tradicionalmente conhecida e história, fui os olhos de um idoso e o sorriso de um bebé de 1o meses. Já fui tudo e quero ser mais.
Talvez o tempo ainda seja meu, talvez eu domine cada medo, cada segredo, cada mal entendido. E se eu um dia atingir o meu limite vou querer ultrapassá-lo e continuar a sonhar.
E aqui estou eu, singela desaparecida a querer mil e uma coisas do mundo e a exigir tanto de mim. Mas eu sou assim para o mundo e espero que o mundo seja assim para o mundo.
Que a orquestra comece e acompanhe o meu canto, que enalteça cada estrela do céu e me faça querer o infinito.

sábado, 13 de junho de 2009

Just me

Eu sou um tudo ou nada, uma mulher do diabo!
Trago no coração mil e um sabores de sentimento.
Fui feita de sal e água e pertenso à imensidão deste mar.
São as minhas pernas que me levam a um porto
E são meus os braços que abraçam o infinito.
Sou fã do olhar que me abala e do sorriso que me estremece,
Da criança que grita na rua para o mundo que rejuvenesce.
Meu pai é de areia e minha mão de rocha
Não tenho irmãos, apenas aqueles que trago no coração.
Solto o cabelo porque o vento me quer levar
Para longe não sei, pois não há destino
Para perto não digo, porque aqui eu sinto que me perco.
Vou andando por aqui, por ali e acolá
Não sou perfeita, não quero ser.
Agarro palavras que se soltam no ar e apaixono-me pelo mar.
Um mar ausente e presente, que se revela com o tempo
Um tempo carente e estridente que murcha a rosa e o seu rebento.
Não quero que meio mundo me olhe, quero ser observada
E se um dia eu acordar, rodeada por todos os heróis da história
Significa que eu fui tudo e sou nada, mas um nada que sempre será um tudo.
Por isso, meu amor, meus amigos, meus irmãos,
Venho por este meio anuncia que o que me encanta é mesmo a vida,
Que os segredos estão num baú de sentimentos e que nunca os revalarei a ninguém.
Que vos quero perto de mim aconteça o que acontecer e que se um dia eu falhar,
Não se vão, venham! Interroguem, perguntem, confrontem.
De nada tenho de perfeito, mas quero estar à vossa altura.
Um beijo que dure para a eternidade, just me, Graça Furtado Vieira

terça-feira, 26 de maio de 2009

Adormeci sonhos

Já faz tempo que não pego na minha caneta e isso faz-me tanta confusão ....

Parece que nestes últimos dias uma parte de mim ficou e outra de foi. Sinceramente não sei se será a frieza da noite ou percurso do meu dia; se será a lua que não aparece à minha janela ou as estrelas que se escondem por aí. Sei que parte mim foi e outra ainda aqui está.
É como se a escrita me levasse até à fantasia, mas a fantasia nada quissesse comigo. Por momentos chego a pensar que não sou tal como tu, ou tal como todos nós. Sinto-me distante do que é concreto e perto de tudo o que é vago e imaginativo.
Surreal ... os meus olhos dizem mais que a minha pouca e os meus dedos só escrevem o que vai cá dentro. A resposta para os medos, inseguranças, devaneios reside no facto de me ter perdido momentos antes da partida do meu adorável sem abrigo.O meu outro eu vagabundo ... esse mesmo! O que andas nas ruas e pede dinheiro, o que tem fome. Que mendigo! O olhar é profundo. Talvez seja tristeza .... talvez carregue uma dor.
Hoje a menina foi e a mulher ficou. Perdi a esperança de que o mundo maravilha existia e que a lua me irá adormecer todas as noites.
Nem sempre tudo é bonito, tem magia e é perfeito. E eu, sou apenas mais uma que encara a realidade. Sendo mendiga ou não, serei sempre sempre uma menina mulher que adormeceu os sonhos e a fantasia e acorda lado a lado com o mundo real.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mulher de salto alto


Estranha melodia. Um ritmo aliciante e stressante que me embala o sono mas que me destrói por dentro. Uma batita que reflecte emoção, que alicia um desejo, que me familiariza com o pecado. Tenho os lábios carregados de batom, os meus olhos carregados de sombras. O meu sapato de salto alto marca a minha femeninidade e o meu poder. Mas eu não quero ser aquela mulher que vive naquela casa, naquele lugar. Não quero que a minha música de fundo seja ouca e que elouqueça meio mundo, nao quero! Simplesmento quero abusar do mundo, quero criar, gerar, criar emoção. Quero sentir sentimentos, cheiros, toques, emoções. E sem cair, de salto eu caminho para o fundo, para algo que me agarre, que me enlouqueça mas não que me domine.
E agora que chego a casa, chega-me a simplicidade do meu pijama. O mundo ficou para trás e o que tenho, e o que trago, guardo em caixinha por de baixo do meu armário. Sim, qualquer mulher de salto alto tem um pedacinho do mundo so para ela. Qualquer mulher quer-se fazer ouvir no meio de tanta multidão, no meio de tanta ignorância de pouco talento. E essa melodia, já não a oiço mais. São águas do passado, um sentimento renovado que guardarei para sempre.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"Rabisco 4"

Hoje saí à rua sem muito para dar. O céu chorava perdas e sentimentos antigos e eu nem queria saber. Ter-me-ia sabido tão bem contiuar ali, inerte, no meio dos meus lençóis fazendo mil e um projectos, lembrando outras mil e uma situações.
Sinto que a vida tem sabora a chocolate e nata quando quer. Primeiro porque é o meu sabor favorito e depois porque nem sempre tudo nesta vida é mau. O sol continua sem brilhar mas eu já estou bem longe de casa, bem longe do conforto da minha cama, bem longe do cheiro a incenso qu por lá paira no ar.
O som da chuva, o cheiro do alcatrão queimado fazem-me querer acreditar em algo novo. Depois da chuva ... o sol. Depois da tempestada ... a bonança. É como o renascer, o nascer do nada, das cinzas.
Talvez o mundo possa ser melhor, possa ser confortável e repleto de fragâncias apetitosas que o tornam diferente: mas feliz, mais unico, mais sincero e não tanto racional, objectivo e pragmático.
São apenas hipóteses, teorias minhas, que eu sei, que nunca, em tempo algum, possam vir a ser realizadas.
Mesmo longe do conforto dos meus lençóis, os sonhos permanecem e o desejo de que tudo seja diferente, vem comigo para todo o lado.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Difícil é não viver!



Balança. Um para a direita e dois para esquerda. Vem. Chega mais perto e dança. Toca. Sente o cheiro do meu cabelo solto. Ouve. Deixa que essa melodia seja droga para o meu chamamento. Pergunta. Quero falar sobre ti. Fala. Quero saber acerca de ti. Conta. Cada passo em que nos olhamos. Realça. Cada curva do meu corpo enquanto que a música puxa por nos. Repara. Como o tempo voa enquanto estamos aqui. Aproxima-te. Mais e mais perto porfavor. Faz acontecer. Tudo o que nunca aconteceu. Vibra. Nós estamos num outro mundo. Salta. Porque o tempo não espera por nós. Deseja. O que nos une é mais que simples palavras. Susurra. Bem perto do meu ouvido. Diz. Tudo o que te vier à cabeça. Vive. Agora é o momento e o o resto não interesse. Atenta em mim ... agora balança meu bem, toca, sente, ouve e deixa que o amanhecer nos encontre. Pergunta, fala, conta porque o momento é o agora e não o depois. Conta até cinco, respira fundo e realça, repara, aproxima-te, faz acontecer. Deseja, sussura e diz ao mundo que o momento é mágico. Simplesmente vive, porque difícil, é mesmo não viver!